segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O Anticristo de Lars Von Trier - A culpa é da mulher?..


Assisti há uma semana o filme O Anticristo, de Lars Von Trier. Já li muitas críticas sobre, desde os que sairam do cinema no meio do filme, os que sentiram nauseas, os que apedrejaram o diretor,os que consideraram gratuitos o sexo e a violencia de algumas cenas, aos que aplaudiram de pé...

Alguns dizem que Lars Von Trier expressou nesse filme toda a sua misoginia, equiparando a mulher ao mal.

Bom, nao vejo assim... Acho que a mulher, em toda a sua complexidade, tem muito do bem e do mal... E sim, acho bem apropriada a analogia feita entre a natureza da mulher e as forças da natureza, ou melhor, o mal que vem da natureza.

Achei fantástica a cena da estrada, na qual o casal, destroçado após a morte do filho, está chegando a Éden, aqui, paraíso invertido, e a floresta parece engolir tudo ao redor, tragar os personagens. Como o sexo da mulher - fêmea do gafanhoto - engole o homem, até a morte no orgasmo.

A culpa que a mulher traz dos conceitos católicos, o pecado original, culmina com a cena em que a mulher, representada por Charlotte Gainsbourg, mutila o próprio clitóris com uma tesoura. Tudo mostrado de forma seca, dolorosa, aviltante, mesmo estando dentro do conceito. Ao seu lado, os três reis magos: a raposa, o corvo e o cervo reunidos ao inverso, no momento em que alguém tinha que morrer, e não nascer.

Linda também a primeira cena... Em qualquer momento, e imagino que para toda a vida, quando escute aquela canção - ária Lascia qu’Io Pianga, da ópera Rinaldo, de Handel -, me virão as imagens em preto e branco, em slow motion, e uma dor profunda no peito.

Me senti incomodada muitas vezes durante o filme... E foi maravilhoso estar incomodada. Fazia tanto tempo que um filme nao me incomodava tanto. A anestesia é muito triste, quero continuar me emocionando, para o bem ou para o mal.

Voltando à natureza da mulher... O filme é recheado de simbologias, e uma delas é a questão de as mulheres terem sido consideradas bruxas muitas vezes na história, pelo simples fato de serem mulheres. Acho que somos mesmo um pouco bruxas... E me lembro agora de uma passagem de Hamlet, que merece um post a parte, prometo para depois. Diálogo entre Hamlet e Ofélia, sobre a beleza e a honestidade. E sobre o fato das mulheres simularem, dissimularem... Deus lhe da uma face e ela faz outra. Comentarei depois, mas não discordo... Me acho meio bruxa as vezes... E gosto do olhar de bobo diante do feitiço... Rs Sou uma mulher bem típica.

Amei o tratamento dado às imagens... Adorei as cores, empalidecidas, a trilha sonora.

Outra cena. O marido, desesperado diante do surto da mulher, foge para a floresta
e alí se esconde num buraco sob as raízes de uma árvore. A mulher lhe arranca dalí, a golpes, escavando a terra... Como em um parto tortuoso o expulsa do útero, e segue o sofrimento.

Achei o filme fantástico. Uma obra de arte incomum, fruto de uma mente certamente atormentada, mas nem por isso menos brilhante.

2 comentários:

  1. karine, um amigo meu, me indicou este filme. agora, depois de ler este post, fiquei mais curioso ainda.

    bj

    ResponderExcluir