domingo, 4 de março de 2012

Música de hoje: Ney Matogrosso - Coragem Coração

Outra história de amor a essa hora...

Volto a escrever após uma longa pausa. Precisava organizar os sentimentos, as idéias, a vida, e, na verdade, estava sem computador em casa, o que dificultava a expressão.
Tudo organizado após mais um carnaval, a vida parece finalmente seguir o rumo traçado em conjunto por mim e pelo acaso, e estou feliz.
Tenho 34 anos recém completados, me sinto ótima. Ainda tenho tempo, talvez dois terços do meu tempo. Sim, sou otimista. Ainda preciso ver meu filho que nem nasceu crescer.
Continuo me alimentando de boa música, boa leitura, comida saudável, dose alta de exercícios físicos e amor, muito amor.
Encontrei um companheiro, um amigo, um amante. Ele se jogou de cabeça nesse romance do tipo "pra vida inteira", e eu, confiada em sua mão, fui junto.
Que se dane quem queira falar que coleciono amores. Só tento ser feliz e, para desgosto dos críticos, tenho alcançado uma elevada taxa de êxito.
Coragem, é o que desejo a todos nessa noite de domingo. Funciona, é como uma receita para a felicidade. Coragem, coração.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Take your time ou o disco novo do Chico ou uma tarde chuvosa em Estocolmo.

O dia aqui em Estocolmo, como de costume cinzento e frio, foi acompanhado por uma insistente e gelada garoa. Pensei em passar o dia em casa, debaixo dos cobertores, na companhia de Issie, uma gata Birma, tão linda quanto preguiçosa.

Lá pelas duas da tarde resolvi tomar um banho quente e sair para caminhar um pouco, talvez comer alguma coisa aqui perto. Vesti as mil camadas de roupa, coloquei o Ipod pra tocar e segui em frente. Acidentalmente, fui parar no novo CD do Chico e, como os piguinhos gelados da chuva que caía em meu rosto, as canções foram me tocando uma a uma, e fui sentindo o meu país entrando por cada poro.

Tinha ouvido pela primeira vez pouco antes de sair do Brasil. Ouvi o início de todas as músicas, me detive em umas duas ou três, e esqueci. Nada me tocou realmente naquele momento e, pensei: um disco praticamente feito para aquela boboca do cabelo cor de abóbora não podia ter mesmo nada de mais.

Mas algo aconteceu nesta tarde fria e, ainda que reconheça que a obra não prima pela originalidade - já que pude reconhecer em muitas das canções referências a outras canções do próprio Chico - o disco é apaixonado, gostoso de ouvir, e tem um gingado brasileiro que fez logo meu andar, antes rígido de frio, tornar-se, de certa maneira, lânguido, sinuoso, por assim dizer.

"Sem você 2" - uma das sensações de deja vu que não dizem respeito apenas ao nome da canção - traduz aquela solidão de quem não é sozinho. Sabe quando seu amor saiu de casa pra almoçar na casa da mãe e você pensa: "Uau! Vou ter tempo de fazer minhas coisas, organizar a gaveta, fazer a depilação?" Mas, passadas duas horas... Quanta saudade... E, em mim, que saudade desse sentimento.

"Sou eu" é uma delícia, e sou eu... Com o perdão do trocadilho, sou aquela moça... Passado o momento confidência, a música me remete a "Deixa a Menina" do próprio Chico. Mas amei o rítmo, o vocal de Diogo Nogueira, o clima de gafieira. Vi o vídeo dos bastidores das gravações no Youtube e o astral entre os dois é galhardo, feliz, o que rendeu um registro tão bom. E quem vai ser o sortudo? Quem leva a moça pra casa? Galhardia, adoro essa palavra. Quase esqueci Estocolmo, e a chuva fina e fria em meu nariz...

"Nina" me lembra um pouco Cecília, do CD as Cidades ou mesmo, na melodia, "A noiva da cidade", que, aliás, é uma das minhas preferidas do Chico... Muitas vezes quis ser Cecília, a noiva da cidade, descuidada, como sou... Queria ele suspirando meu nome em silêncio, sem confundi-lo com qualquer música, pois "nem as sutis melodias merecem, Cecília, teu nome espalhar por aí". Nao falasse a letra sobre um relacionamento virtual e nao remetesse a Moscou, quase tão fria quanto minha doce Estocolmo, eu relevaria as coincidências...

"Barafunda", um sambinha bem Chico Buarque de Mangueira, com referências ao futebol, àquele bom e antigo futebol, de Garrincha e Pelé... Futebol com gingado verde e rosa, de Cartola, com cores e sabores do meu país, lembrando ainda o macho brasileiro safado que nao lembra o nome dela, "e salve este samba antes que o esquecimento baixe o seu manto cinzento".

"Sinhá" achei triste, e triste sem ser bonito... Porque, vocês hão de concordar, tem umas tristezas lindas. O próprio Chico tem umas tristezas lindas de doer, "(...) pelo amor de Deus, nao vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem, nao vê que Deus até fica zangado vendo alguém, abandonado, pelo amor de Deus.(...)" ou "(...) Oh, pedaço de mim, oh, metade apartada de mim, leva o que há de ti, que a saudade dói latejada, é assim como como uma fisgada no membro que já perdi (...)" Mas Sinhá não, é uma tristeza sem ser linda, e aí eu não gosto. Não gostei da melodia, da letra, nem da voz de Chico. Isso, eu que sempre gostei do Chico cantor, não gostei da voz em "Sinhá".

"Querido diário", faixa que abre o CD, tem linda melodia e instrumental. Me remete também a algo que conheco, do próprio Chico. Mas não identifiquei qual música. Me remete ao Chico escritor, descritivo,  canção visual. Posso ver as calçadas do Rio, o carro passando devagar, vendo as pessoas e suas histórias. O mais belo verso do CD está nesta canção "Hoje, afinal, conheci o amor. E era o amor uma obscura trama..." e o mais apropriado para o meu momento "mas eu não quebro não, porque sou macio". Excelente canção.

Gostei também de "Rubato", marchinha interessante, cadenciada, gostosa. Aqueceu meu caminhar.

"Essa pequena", nítidamente foi feita para o amor da terceira idade e a menina boboca do cabelo cor de abóbora. Sim, voce sentiu uma ponta de ciumes nessa declaração. Vou tentar ser imparcial, só que ao contrário. Falando sério, "o blues já valeu a pena". A musica é linda, a letra é charmosa, sensual. É, acho que ele nem sabe mesmo direito o que ela fala, mas isso não importa muito, ao que parece. O verso Take your time, deu tema a esse post, e deu tema a essa minha estadia na cinza Estocolmo. Estou tomando meu tempo.

"Não sei pra que/ outra história de amor esta hora/ porém você diz que está tipo afim/ de se jogar de cara num romance assim/ tipo pra vida inteira". São os versos iniciais de  "Tipo um baião", canção que comeca tímida, como uma baladinha, e explode em festa, em baião, em forró, em carnaval. E me fez chorar. As folhas amarelas caiam de uma grande árvore no caminho, um cenário lindo.  Mas o ritmo me levou lá pra Ladeira da Barra no Carnaval, me levou pro Museu do Ritmo, me levou pra minha Cruz das Almas no São João, me levou pro colo da minha mãe. Vou postar a letra da música em seguida, faz tempo que não posto a música do dia.

E já nao sei se era chuva o que escorria quente em meu rosto, e já nao sei se era frio o que passava em meu coração. Ah, se eu soubesse...

Enfim, tenho que agradecer à boboca do cabelo cor de abóbora por ter inspirado Chico a compor novamente. Lindo registro de amor. E aí, larará, lirirí...



terça-feira, 25 de outubro de 2011

Trocando em Miúdos

Hoje foi meu último dia no trabalho antes da viagem. Saí com a sensação incômoda de que nunca deveria ter entrado. No fim, perdi mais que ganhei, e só sobrou a saudade que vou sentir do convívio com alguns amigos queridos.
Essa é só uma das saudades que devem me acompanhar daqui por diante.
Por outro lado, uma vida nova e cheia de possibilidades me espera. "Ele" me espera, com o coração "spining like a cat".
Para hoje a noite, Chico Buarque para sentir, água termal para aliviar, relaxante muscular para descansar e uma taça de vinho para celebrar. Não necessariamente nessa mesma ordem.
Ou seria Chico Buarque para aliviar, relaxante muscular para sentir, água termal para celebrar e uma taça de vinho para descansar?
Whatever... Doesn´t matter.
Love you all...


domingo, 9 de outubro de 2011

O meu sumiço.

Aos que costumavam ler as postagems no Blog tenho que pedir desculpas. Minha vida mudou tanto nos últimos meses...
Mudei de casa, duas vezes. Só isso já era motivo suficiente para comprometer meu tempo e minha inspiração para escrever.
Voltei a trabalhar com advocacia, no mesmo escritório que trabalhava antes. Não fui feliz, novamente, permaneceram as mesmas insatisfações.
Conheci alguém muito especial e, por causa deste alguém, estou prestes a deixar a casa e o trabalho e mudar de país.
Ficaram tontos? Estou meio tonta até agora. Aliás, estes últimos meses foram de uma vertigem initerrupta.
Dia 01 de novembro embarcarei para a Suécia. Estou com medo e um frio na barriga que não passa. Mas ao mesmo tempo estou curiosa, ansiosa, excitada e, sobretudo, com saudade.
Não foi novidade para ninguém que me conhecia eu ter tomado essa decisão, eu sempre me guiei por esse meu coração selvagem.
Deixo vocês novamente, com uma música linda que resume os meus dias. Voltarei em breve para contar como está a vida lá no tempo frio e, espero, com o coração quente.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Amando em inglês - Meu encontro com o Coldplay.

Sempre fui uma fã inveterada da música brasileira, me abri de coração apenas para raras exceções alienígenas. As exceções são notáveis, é verdade: Chet Backer, Nina Simone, Tom Waits, Janis Joplin, Beatles, Ella Fitzgerald, Billie Holiday. Ok, estão todos, infelizmente, mortos. Entre os vivos, menos ainda: Muse (que eu, e a Stephenie Meyer - é, aquela de Twilight -, amamos de paixão), U2 (o Bono ainda está vivo? Realmente vivo?), Placebo; Pearl Jam e certamente outros que, se eu não me lembro agora, é porque não gosto tanto assim.
Faz uns dias comentei com uma prima que estava querendo ouvir umas músicas em inglês, para aprender a falar sobre sentimentos naquela língua - não, vocês ainda não sabem o porquê, depois eu conto. Ela então me indicou que ouvisse Coldplay, pela boa pronúncia do vocalista, o marido da amarela da Gwyneth Paltrow.
Gravei então um CD no qual incluí ainda James Morrisson, James Blunt, Adele - que apesar do burburinho eu ainda não tinha ouvido, o novo da Sade e umas porcariazinhas impublicáveis que gosto de ouvir enquanto dirijo em dias de pressa. 
E foi aí que eu me perdi. Comecei pelo Coldplay. 
E veio logo Shiver, avassaladora pra mim, fiquei mesmo arrepiada e sabe com aquela "aguinha" rasa nos olhos? É realmente arrebatador ouvir coisas como "from he moment I wake, to the moment I sleep, I´ll be there by your side" e "Is this my final chance to getting you" e, principalmente "I´ll always be waiting for you". 
E o que dizer de Yellow? Deliciosa guitarrinha no início, vontade de cantar alto. Gwyneth, se alguém fizesse uma música assim pra mim um dia, mesmo me chamando de marrom, eu seria a mulher mais feliz do mundo. É, "you know, I love you so", que eu sempre pensei que fosse,"you know, I love your soul". Fica a dica: acho mais bonito assim. Mas "For you I´d bleed myself dry" não deixa dúvidas, é amor da única forma que vale a pena sentir, até a última gota de sangue, até não poder mais respirar. Como diria uma amiga querida,"sou dessas".
Trouble, é bem bonita também. Pedido de desculpas perfeito de alguém que sinceramente quer ser desculpado.
A verdade é que sim, as letras são super bobinhas, as melodias simples, principalmente se você não está apaixonado, ainda que pela vida, ou não é um adolescente cheio de vontade de salvar o mundo - ainda existem adolescentes com vontade de salvar o mundo? 
Mas para mim música boa é aquela que consegue me fazer sentir. Voltando para casa ontem à noite, ouvindo Coldplay eu senti, e esse momento é maravilhoso e digno de nota nessa vida que a gente leva, sempre correndo, sem tempo pra sentir. Chorei, e não era tristeza, nem saudade, nem medo. Era amor, emoção, beleza.
Ainda agora, enquanto escrevo, soa The Scientist, e me emociono quando ouço "I had to find you, tell you I need you" e "And tell me you love me, come back and haunt me, oh when I rush to the start".
É a simplicidade que me toca, a simplicidade da vida que se aproxima, das coisas tão simples que sempre sonhei. Meus sonhos bobos, de melodias simples, como as canções do Coldplay.
Ainda vou ter a sorte da Gwyneth, e talvez ele não me escreva Yellow e o mundo inteiro nem se dê conta de que existimos. Mas, ainda assim, o que deixaremos será tão precioso que o mundo vai até ficar um pouquinho melhor, ou mais simples, e mais bobinho, como as canções do Coldplay. E aí, já terá valido a pena.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Trinta e três invernos.



Acho que envelheci... Ou é a proximidade do inverno que sempre me deixa velha. Parece que o tempo não me passa em primaveras como aos demais, me passa em invernos.
Faço aniversário no verão, mas não chego a sentir o peso de mais um ano de vida nesta época, a sensação vem quando começa o inverno, com a chuva, e a vontade insistente de ter alguém em quem esquentar os pés por debaixo do cobertor. Vixe, como bem se diz aqui na Bahia... Que sair pra balada que nada, eu queria era cama quentinha e conversa ao pé do ouvido com alguém que fosse só rotina e conforto.
Lembro-me de quando não me rendia a essas vontades invernais. E não é que eu era bem feliz? Direto do túnel do tempo, vejo madrugadas de domingo, banho de mar no Porto da Barra até ver o sol nascer, depois de ter dançado e tomado champanhe com pedacinhos de ouro! Puro brilho essa época. Brilho também eram meus companheiros de noites quentes, amigos de hoje e de sempre, ainda que todo mundo, como eu, tenha mudado tanto.
Tinha também o videokê nas noites de quinta, quentes ou não. Sempre cantava a mesma música, a única em que eu conseguia boa pontuação, talvez pela voz mais grave, "Nos lençóis desse Reggae" da Zélia Duncan. Minha amiga sempre cantava alguma canção de Lulu Santos, se saía muito bem. E sempre saíamos com o sol nascendo e cantando "voe por todo mar e volte aqui, pro meu peito...". Madrugadas de pura alegria e jovem inconseqüência. Eu não sei se ela ainda canta Lulu Santos, ou se vai a videokê, mas minha lembrança dessa época é eterna, nossa amizade também. Ela certamente concordaria comigo, estamos ficando velhas a cada inverno. 
A prova disso, do envelhecimento, são essas lembranças... Gente velha adora lembrar do passado com aquele sorriso no rosto e aquela sensaçao de saudosismo. Saudosismo, sentimento de velho. Poderia ser o tema desse post.
Essas lembranças de gente velha sem ser me confortam um pouco o peito, evitam que ele congele diante da falta daquele pezinho... Aquele rotineiro e reconfortante pezinho por baixo do cobertor.