Hoje foi meu último dia no trabalho antes da viagem. Saí com a sensação incômoda de que nunca deveria ter entrado. No fim, perdi mais que ganhei, e só sobrou a saudade que vou sentir do convívio com alguns amigos queridos.
Essa é só uma das saudades que devem me acompanhar daqui por diante.
Por outro lado, uma vida nova e cheia de possibilidades me espera. "Ele" me espera, com o coração "spining like a cat".
Para hoje a noite, Chico Buarque para sentir, água termal para aliviar, relaxante muscular para descansar e uma taça de vinho para celebrar. Não necessariamente nessa mesma ordem.
Ou seria Chico Buarque para aliviar, relaxante muscular para sentir, água termal para celebrar e uma taça de vinho para descansar?
Whatever... Doesn´t matter.
Love you all...
Aos que costumavam ler as postagems no Blog tenho que pedir desculpas. Minha vida mudou tanto nos últimos meses...
Mudei de casa, duas vezes. Só isso já era motivo suficiente para comprometer meu tempo e minha inspiração para escrever.
Voltei a trabalhar com advocacia, no mesmo escritório que trabalhava antes. Não fui feliz, novamente, permaneceram as mesmas insatisfações.
Conheci alguém muito especial e, por causa deste alguém, estou prestes a deixar a casa e o trabalho e mudar de país.
Ficaram tontos? Estou meio tonta até agora. Aliás, estes últimos meses foram de uma vertigem initerrupta.
Dia 01 de novembro embarcarei para a Suécia. Estou com medo e um frio na barriga que não passa. Mas ao mesmo tempo estou curiosa, ansiosa, excitada e, sobretudo, com saudade.
Não foi novidade para ninguém que me conhecia eu ter tomado essa decisão, eu sempre me guiei por esse meu coração selvagem.
Deixo vocês novamente, com uma música linda que resume os meus dias. Voltarei em breve para contar como está a vida lá no tempo frio e, espero, com o coração quente.
Sempre fui uma fã inveterada da música brasileira, me abri de coração apenas para raras exceções alienígenas. As exceções são notáveis, é verdade: Chet Backer, Nina Simone, Tom Waits, Janis Joplin, Beatles, Ella Fitzgerald, Billie Holiday. Ok, estão todos, infelizmente, mortos. Entre os vivos, menos ainda: Muse (que eu, e a Stephenie Meyer - é, aquela de Twilight -, amamos de paixão), U2 (o Bono ainda está vivo? Realmente vivo?), Placebo; Pearl Jam e certamente outros que, se eu não me lembro agora, é porque não gosto tanto assim.
Faz uns dias comentei com uma prima que estava querendo ouvir umas músicas em inglês, para aprender a falar sobre sentimentos naquela língua - não, vocês ainda não sabem o porquê, depois eu conto. Ela então me indicou que ouvisse Coldplay, pela boa pronúncia do vocalista, o marido da amarela da Gwyneth Paltrow.
Gravei então um CD no qual incluí ainda James Morrisson, James Blunt, Adele - que apesar do burburinho eu ainda não tinha ouvido, o novo da Sade e umas porcariazinhas impublicáveis que gosto de ouvir enquanto dirijo em dias de pressa.
E foi aí que eu me perdi. Comecei pelo Coldplay.
E veio logo Shiver, avassaladora pra mim, fiquei mesmo arrepiada e sabe com aquela "aguinha" rasa nos olhos? É realmente arrebatador ouvir coisas como "from he moment I wake, to the moment I sleep, I´ll be there by your side" e "Is this my final chance to getting you" e, principalmente "I´ll always be waiting for you".
E o que dizer de Yellow? Deliciosa guitarrinha no início, vontade de cantar alto. Gwyneth, se alguém fizesse uma música assim pra mim um dia, mesmo me chamando de marrom, eu seria a mulher mais feliz do mundo. É, "you know, I love you so", que eu sempre pensei que fosse,"you know, I love your soul". Fica a dica: acho mais bonito assim. Mas "For you I´d bleed myself dry" não deixa dúvidas, é amor da única forma que vale a pena sentir, até a última gota de sangue, até não poder mais respirar. Como diria uma amiga querida,"sou dessas".
Trouble, é bem bonita também. Pedido de desculpas perfeito de alguém que sinceramente quer ser desculpado.
A verdade é que sim, as letras são super bobinhas, as melodias simples, principalmente se você não está apaixonado, ainda que pela vida, ou não é um adolescente cheio de vontade de salvar o mundo - ainda existem adolescentes com vontade de salvar o mundo?
Mas para mim música boa é aquela que consegue me fazer sentir. Voltando para casa ontem à noite, ouvindo Coldplay eu senti, e esse momento é maravilhoso e digno de nota nessa vida que a gente leva, sempre correndo, sem tempo pra sentir. Chorei, e não era tristeza, nem saudade, nem medo. Era amor, emoção, beleza.
Ainda agora, enquanto escrevo, soa The Scientist, e me emociono quando ouço "I had to find you, tell you I need you" e "And tell me you love me, come back and haunt me, oh when I rush to the start".
É a simplicidade que me toca, a simplicidade da vida que se aproxima, das coisas tão simples que sempre sonhei. Meus sonhos bobos, de melodias simples, como as canções do Coldplay.
Ainda vou ter a sorte da Gwyneth, e talvez ele não me escreva Yellow e o mundo inteiro nem se dê conta de que existimos. Mas, ainda assim, o que deixaremos será tão precioso que o mundo vai até ficar um pouquinho melhor, ou mais simples, e mais bobinho, como as canções do Coldplay. E aí, já terá valido a pena.
Acho que envelheci... Ou é a proximidade do inverno que sempre me deixa velha. Parece que o tempo não me passa em primaveras como aos demais, me passa em invernos.
Faço aniversário no verão, mas não chego a sentir o peso de mais um ano de vida nesta época, a sensação vem quando começa o inverno, com a chuva, e a vontade insistente de ter alguém em quem esquentar os pés por debaixo do cobertor. Vixe, como bem se diz aqui na Bahia... Que sair pra balada que nada, eu queria era cama quentinha e conversa ao pé do ouvido com alguém que fosse só rotina e conforto.
Lembro-me de quando não me rendia a essas vontades invernais. E não é que eu era bem feliz? Direto do túnel do tempo, vejo madrugadas de domingo, banho de mar no Porto da Barra até ver o sol nascer, depois de ter dançado e tomado champanhe com pedacinhos de ouro! Puro brilho essa época. Brilho também eram meus companheiros de noites quentes, amigos de hoje e de sempre, ainda que todo mundo, como eu, tenha mudado tanto.
Tinha também o videokê nas noites de quinta, quentes ou não. Sempre cantava a mesma música, a única em que eu conseguia boa pontuação, talvez pela voz mais grave, "Nos lençóis desse Reggae" da Zélia Duncan. Minha amiga sempre cantava alguma canção de Lulu Santos, se saía muito bem. E sempre saíamos com o sol nascendo e cantando "voe por todo mar e volte aqui, pro meu peito...". Madrugadas de pura alegria e jovem inconseqüência. Eu não sei se ela ainda canta Lulu Santos, ou se vai a videokê, mas minha lembrança dessa época é eterna, nossa amizade também. Ela certamente concordaria comigo, estamos ficando velhas a cada inverno.
A prova disso, do envelhecimento, são essas lembranças... Gente velha adora lembrar do passado com aquele sorriso no rosto e aquela sensaçao de saudosismo. Saudosismo, sentimento de velho. Poderia ser o tema dessepost.
Essas lembranças de gente velha sem ser me confortam um pouco o peito, evitam que ele congele diante da falta daquele pezinho... Aquele rotineiro e reconfortante pezinho por baixo do cobertor.
Onde queres revólver sou coqueiro, onde queres dinheiro sou paixão Onde queres descanso sou desejo, e onde sou só desejo queres não E onde não queres nada, nada falta, e onde voas bem alta eu sou o chão E onde pisas no chão minha alma salta, e ganha liberdade na amplidão
Onde queres família sou maluco, e onde queres romântico,burguês Onde queres Leblon sou Pernambuco, e onde queres eunuco,garanhão E onde queres o sim e o não, talvez, onde vês eu não vislumbro razão Onde queres o lobo eu sou o irmão, e onde queres cowboy eu sou chinês
Ah, bruta flor do querer, ah, bruta flor, bruta flor Onde queres o ato eu sou o espírito e onde queres ternura eu sou tesão Onde queres o livre decassílabo e onde buscas o anjo eu sou mulher Onde queres prazer sou o que dói e onde queres tortura,mansidão Onde queres o lar, revolução e onde queres bandido eu sou o herói
Eu queria querer-te e amar o amor construírmos dulcíssima prisão E encontrar a mais justa adequação tudo métrica e rima e nunca dor Mas a vida é real e de viés e vê só que cilada o amor me armou
E te quero e não queres como sou não te quero e não queres como és
Onde queres comício, flipper vídeo e onde queres romance, rock'nroll Onde queres a lua eu sou o sol onde a pura natura, o inceticídeo E onde queres mistério eu sou a luz
Onde queres um canto, o mundo inteiro Onde queres quaresma, fevereiro e onde queres coqueiro eu sou obus O quereres e o estares sempre a fim do que em mim é de mim tão desigual Faz-me querer-te bem, querer-te mal bem a ti, mal ao quereres assim Infinitivamente pessoal e eu querendo querer-te sem ter fim E querendo te aprender o total do querer que há e do que não há em mim
“Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente.
Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita fui a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso.”
C. Lispector in Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres.