segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A barriga e a solidão.

"Não quero o que a cabeça pensa, quero o que a alma deseja. Arco iris, anjo rebelde, eu quero corpo, tenho pressa de viver. Mas quando você me amar, me abrace e me beije bem devagar, que é para eu ter tempo, tempo de me apaixonar... Tempo para ouvir o rádio do carro, e de saber que eu te amo... Meu bem, talvez você possa compreender a minha solidão, o meu sonho e a minha fúria e essa pressa de viver, esse jeito de deixar sempre de lado a certeza, e arriscar tudo de novo com paixão, andar caminho errado pela simples alegria de ser... Meu bem, vem morar comigo, vem viver comigo, vem correr perigo... Meu bem..."(Coração Selvagem - Belchior)

Veio essa música hoje em prosa. Homenagem ao post lindo que li no Blog de Rai (http://deusamenina-posts.blogspot.com/2010/11/para-quando-voce-me-amar.html), minha prima mais doce. Me emocionou.
Hoje é uma dia definitivamente emotivo. Estou confusa, sozinha, me dói o estômago e sinto falta de alguém que me traga uma maçã e me faça um carinho nos cabelos, na barriga.
Ah, por falar em barriga... Hoje também voltou o sonho. Ver a barriga crescer, nascer um bebê. Aquele que vai brincar comigo no jardim, com nosso cachorro e meu amor.
E o amor? Porque precisa ser tão complicado? Se é só de uma maçã, um carinho nos cabelos e um filho o que eu preciso.
Hoje tenho pressa... Ansiedade em ser feliz. Não quero esperar mais.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Música de Hoje: Chico Buarque - Todo o Sentimento - Paris

Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente
Preciso conduzir
Um tempo de te amar
Te amando devagar e urgentemente
Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez
Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu

Depois de te perder
Te encontro com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu






sábado, 11 de setembro de 2010

Clarice Lispector num sábado a noite - Furacão e Calmaria


Desocupada e sem programa para uma fria e desagradável noite de sábado abri, como em outras tantas noites solitárias, meu twitter, e dei de cara com Clarice. Sempre ela, mesmo em 146 caracteres, abrindo as feridas da minha alma.

A frase dizia:

O medo me leva ao perigo. E tudo que eu amo é arriscado.

Abriu-se a primeira ferida. Era o que eu temia. Não queria mesmo prolongar esse sábado a noite em nada mais que novela das nove falada em italiano macarrônico e uma noite de sono difícil em virtude da gripe que me tem o peito congestionado.

Segui lendo, e veio o golpe fatal, já não podia voltar atrás. Li o que vinha pensando durante os últimos dias. E era tudo tao simples, que me senti tola, tonta. Tonta e com a vaidade ferida. Se não fui eu quem pensou antes, não era privilégio meu a aflição. Falar ou não falar? É sentimento comum, ordinário, tanto quanto pode ser ordinário algo vindo do coraçao de Clarice. Dizia:

"Por te falar eu te assustarei e te perderei? Mas se eu nunca falar eu me perderei, e por me perder eu te perderia." Excerto tirado de A Paixão Segundo GH, um dos meus favoritos.

Era só isso que precisava ser dito, e eu não soube dizer antes. Precisava ser dito por mim para mim. Em alta voz, para que eu sem dúvida escutasse.

Tenho muitas vezes medo da intensidade dos meus sentimentos. Não temo por mim, sou bastante kamikaze nesse aspecto. Mas sim pelo outro, que quase sempre, compreensivelmente, se assusta.

O comedimento é infinitamente mais confortável... Comedimento é brisa leve. Meu sentimento quase sempre é tempestade e muitas vezes furacão. Eu sei antes, me seguro. O outro, pego de surpresa, grita e corre.

Lembrei agora de um desenho animado da Disney... Havia um grande furacão, o pateta, o mickey, o pluto, casas, árvores, vacas e pessoas voando, e música clássica... Acho que nao se fazem mais desenhos com música clássica ao fundo.

O medo de falar é o medo de ouvir e o que sair da boca ser não. É o medo de assustar. O medo de que o outro grite e corra, ao som de música clássica, as vacas voando e o furacão.

Mas se não falo, deixo de ser eu para ser apenas uma peça de um jogo. E eu nao sei jogar. Deixaria de existir e aí sim o outro não me amaria.

O problema está em outra poesia, musicada, "eu não sei dançar tão devagar pra te acompanhar".

Resta acreditar que encontraremos, um dia, um só ritmo. Que ao sentir a proximidade do furacão o outro se abrigue calmamente a meu lado e de maos dadas apreciemos juntos o espetáculo, para gozar, ao final, da calmaria.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

domingo, 1 de agosto de 2010

Música de Hoje: Aquela Estrela (Vander Lee)

(Essa é para o meu bebê, que virou estrela e hoje tive certeza, me olha de onde está. Não existem coincidências.)

Aquele jeito que você me olhou
Varreu meu pensamento
Todas as coisas saíram do chão
Eu me esqueci de tudo
Antes que eu me desse conta
Já era seu meu querer

Foi como o sol que desponta
Numa montanha dourada
Na terra do faz de conta
Pra me banhar de prazer

Mas o vazio (essa carta) que você deixou
No meu apartamento
Quase transbordou meu coração
Meu mundo ficou mudo
Você foi pra tão distante
E eu quero tanto te ver

Por isso não se espante
Se numa noite bela
Aquela estrela brilhante
Em sua janela bater