Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente
Preciso conduzir
Um tempo de te amar
Te amando devagar e urgentemente
Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez
Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu
Depois de te perder
Te encontro com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Música de Hoje: Chico Buarque - Todo o Sentimento - Paris
domingo, 12 de setembro de 2010
sábado, 11 de setembro de 2010
Clarice Lispector num sábado a noite - Furacão e Calmaria

Desocupada e sem programa para uma fria e desagradável noite de sábado abri, como em outras tantas noites solitárias, meu twitter, e dei de cara com Clarice. Sempre ela, mesmo em 146 caracteres, abrindo as feridas da minha alma.
A frase dizia:
O medo me leva ao perigo. E tudo que eu amo é arriscado.
Abriu-se a primeira ferida. Era o que eu temia. Não queria mesmo prolongar esse sábado a noite em nada mais que novela das nove falada em italiano macarrônico e uma noite de sono difícil em virtude da gripe que me tem o peito congestionado.
Segui lendo, e veio o golpe fatal, já não podia voltar atrás. Li o que vinha pensando durante os últimos dias. E era tudo tao simples, que me senti tola, tonta. Tonta e com a vaidade ferida. Se não fui eu quem pensou antes, não era privilégio meu a aflição. Falar ou não falar? É sentimento comum, ordinário, tanto quanto pode ser ordinário algo vindo do coraçao de Clarice. Dizia:
"Por te falar eu te assustarei e te perderei? Mas se eu nunca falar eu me perderei, e por me perder eu te perderia." Excerto tirado de A Paixão Segundo GH, um dos meus favoritos.
Era só isso que precisava ser dito, e eu não soube dizer antes. Precisava ser dito por mim para mim. Em alta voz, para que eu sem dúvida escutasse.
Tenho muitas vezes medo da intensidade dos meus sentimentos. Não temo por mim, sou bastante kamikaze nesse aspecto. Mas sim pelo outro, que quase sempre, compreensivelmente, se assusta.
O comedimento é infinitamente mais confortável... Comedimento é brisa leve. Meu sentimento quase sempre é tempestade e muitas vezes furacão. Eu sei antes, me seguro. O outro, pego de surpresa, grita e corre.
Lembrei agora de um desenho animado da Disney... Havia um grande furacão, o pateta, o mickey, o pluto, casas, árvores, vacas e pessoas voando, e música clássica... Acho que nao se fazem mais desenhos com música clássica ao fundo.
O medo de falar é o medo de ouvir e o que sair da boca ser não. É o medo de assustar. O medo de que o outro grite e corra, ao som de música clássica, as vacas voando e o furacão.
Mas se não falo, deixo de ser eu para ser apenas uma peça de um jogo. E eu nao sei jogar. Deixaria de existir e aí sim o outro não me amaria.
O problema está em outra poesia, musicada, "eu não sei dançar tão devagar pra te acompanhar".
Resta acreditar que encontraremos, um dia, um só ritmo. Que ao sentir a proximidade do furacão o outro se abrigue calmamente a meu lado e de maos dadas apreciemos juntos o espetáculo, para gozar, ao final, da calmaria.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
domingo, 1 de agosto de 2010
Música de Hoje: Aquela Estrela (Vander Lee)
(Essa é para o meu bebê, que virou estrela e hoje tive certeza, me olha de onde está. Não existem coincidências.)
Aquele jeito que você me olhou
Varreu meu pensamento
Todas as coisas saíram do chão
Eu me esqueci de tudo
Antes que eu me desse conta
Já era seu meu querer
Foi como o sol que desponta
Numa montanha dourada
Na terra do faz de conta
Pra me banhar de prazer
Mas o vazio (essa carta) que você deixou
No meu apartamento
Quase transbordou meu coração
Meu mundo ficou mudo
Você foi pra tão distante
E eu quero tanto te ver
Por isso não se espante
Se numa noite bela
Aquela estrela brilhante
Em sua janela bater
sexta-feira, 30 de julho de 2010
O que é que eu faço?
Sempre me emocionou olhar aquelas duas fotografias dela. Ficavam guardadas numa caixa, junto com outras coisinhas. Era do tempo em que ainda revelávamos as fotografias e guardávamos em caixinhas ou em álbuns, ao invés de arquivos digitais.
Me emocionava vê-la tão pequenininha, a luz do sol refletindo no pelinho arrepiado, a carinha de sapeca. Tao pequenininha que cabia na sombra de um vaso do qual pendia uma orquídea lilás.
Só abri aquela caixinha, a das fotos, em momentos cruciais. Ou quando eventualmente mudava de casa ou, ultimamente, num momento de muita dor, no qual, inafastavelmente ela esteve a meu lado, me olhando com aquela carinha expressiva, que dizia tudo sem dizer nada.
Essa noite ela dormiu como sempre em sua caminha, ao lado da minha. O olhinho expressivo sempre me acompanhando. Eu estava carente, a abracei um monte, brinquei com ela, ri porque sempre andava atrás de mim para onde eu fosse, ri porque passou a tarde vigiando um biscoito que nao queria comer mas também nao queria deixar para o outro.
Durante os últimos oito anos, por muitas vezes, pensei que não suportaria as perdas que tive sem ela. Sem a carinha dela me olhando quando perdi o bebê. Sem a companhia serelepe quando fui viver em um país estranho. Sem vê-la sentada em frente à porta, como eu, esperando por alguém que nunca viria.
Hoje ela me deixou... Sem fazer alarde. Acordou cansadinha, a peguei no colo... Me olhou com aquele olhinho pretinho como se me perguntasse o que estava acontecendo. Acho que me esperou chegar para ir de vez, meu filhotinho estava velhinho e cansado. Só pude dizer: o que é que eu faço?
Ainda não sei, porque desde que ela me escolheu, só soube suportar a dor com sua ajuda. E agora, o que é que eu faço?
Minha memória para minha bonequinha será sempre de gratidão e de amor. Teria sido tudo muito mais difícil sem ela, como a partir de agora será.
Assinar:
Postagens (Atom)
